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L E T Í C I A

  Eu e meu padrasto estávamos na cozinha fazendo biscoitos, eu gostava de fazer isso com ele, além dele cozinhar muito bem e dos biscoitos sempre ficarem deliciosos, me trazia boas lembranças.

Sabe, Leticinha não foi a criança mais compreensiva do mundo quando perguntaram pra ela se ela queria ficar no Brasil com a mamãe ou ir pra outro país morar com o papai e o novo namorado, até então, dele. Nunca conversamos muito sobre isso, mas acho que minha mãe não tinha muitas condições mentais para cuidar de mim na época porque eu vir morar com o pai foi uma coisa que parecia já estar decidida antes mesmo que eles viessem me perguntar.

No início era uma merda porque eu não gostava daqui e essa implicância talvez tenha atingido o inicio do meu relacionamento com meu padrasto, a sorte é que Cláudio era um cara ridiculamente compreensivo, simpático e tinha crescido cheio de irmãos então ele meio que sabia lidar com crianças chatas como eu costumava ser (Ele me lembrava Vicky se olharmos por esse lado). Nos meus primeiros meses aqui, Cláudio me trazia pra cozinha e me ensinava a fazer biscoitos, às vezes eu fazia meio emburrada, mas depois eu fui gostando da coisa toda e, consequentemente, de Cláudio, tanto que virou quase um ritual.

-Sua mãe te ligou, Let?- Perguntou

-Ainda não, acho que ela tá estressada por causa do trabalho, mas disse que liga amanhã.

-Seu pai tá preocupado com ela, você sabe, dela ter uma recaída com aquele cara lá ou coisa assim.

-Aham mas acho que eles não voltam, não

-Espero- Ele disse pegando a xícara de leite nas minhas mãos e adicionando a massa- Let, você unta a forma para mim?

Assenti e fui pegar a manteiga para untar a tal forma, minha mãe tinha se metido num relacionamento horrível com um cara nada legal uns anos atrás, ela, normalmente, era incrível mas com esse cara parecia que ela se transformava, chegou até a falar que não ia mais poder falar com meu pai porque ele era casado com um cara. Demorei muito tempo pra descobrir que o namorado era super agressivo com ela e era um grandessíssimo filho da puta, era se afastar dele que minha mãe voltava a ser a pessoa maravilhosa de sempre, era eles voltarem e ela voltava a ser uma babaca, o último término aconteceu tem uns 3 meses e eu esperava que dessa vez fosse pra valer.

-E você?- Ouvi Cláudio perguntar me tirando de meus devaneios

-Eu o quê?

-Você e a sua garota, ocorreu algo ontem?- Suspirei meio rindo- Ocorreu, não é?

-Foi incrível, pai, ela é incrível, não tivemos tanto tempo pra conversar sozinhas porque a desgraçada da Gab atrapalhou mas a gente quase se beijou e ela é super fofa, a gente conversou a madrugada inteira!

Ele sorriu para mim.

-Então minha biscoitinha tá apaixonada?- Perguntou bagunçando meus cabelos.

Eu amava quando ele e meu pai me chamavam de biscoitinha porque tinha gostinho de infância.

-Eu não diria apaixonada, é muito forte, digamos que eu estou encantada pela Vicky.

-Então minha nora tem um nome agora?- Meu pai entrou na cozinha tentando pegar um pouco de massa enquanto meu padrasto tentava fazer o formato dos biscoitos na forma, ele deu um tapa na mão do meu pai- Só um pouquinho, amor!

-Você pode comer quantos você quiser, quando eles estiverem prontos.

Eu ri.

-E então, Lelê, quando minha nora vem me conhecer?

Eu arregalei os olhos.

-Calma aí, pai, eu acabei de conhecer a garota!

Ele riu e se encostou ao meu lado.

-Como ela é?

-Maravilhosa, sei lá, pai, eu só... gostei dela, não deu tempo de conversar sobre muita coisa ainda.

-Então descubra

-Marcos! Sua filha não precisa ser uma stalker só porque você é- Cláudio fechou o forno.

-Stalker?- Perguntei

-Seu pai era insuportável quando a gente se conheceu, me encheu o saco em todas as redes sociais possíveis, só faltava me seguir na rua.

Eu comecei a rir

-Calma aí, não é pra tanto- Meu pai tentou se defender

-Você achou uma prima minha de quinto grau alemã que eu nem sabia que existia, Marcos!

A essa hora eu já gargalhava.

-Porque vocês nunca me contaram isso?

Rimos por algum tempo, depois eu saí da cozinha e fui pegar meu celular no quarto, tinha uma mensagem da Vicky!! Abri imediatamente.

VICKY LÓPEZ- bom dia

VICKY LÓPEZ- tem uma promoção de bolinhos para garotas bonitas na doce dê hj

VICKY LÓPEZ- quer vir?

Um sorriso tomou meu rosto, eu era muito idiota.

LET SMITH- estou à caminho

Demorei uns trinta minutos pra me arrumar, o que era pouquíssimo pra mim, e saí em direção a porta.

-Pais, tô saindo!

-Pra onde?- Cláudio gritou da cozinha.

-Vou ver a Vicky!

-Ah, então leva uns biscoitinhos para ela, acabaram de sair!

Ele pegou um tupperware, colocou uns biscoitos e me entregou.

-Valeu, pai!

-Boa sorte!- Ouvi meu pai gritar da cozinha.

-Obrigada!- Respondi já chamando o elevador.

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