V I C K Y
Eu estava uma pilha de nervos, uns três clientes já haviam me perguntado se eu estava bem.
-Relaxa, Vitória, vai dar tudo certo- Alan me puxou de lado- Daqui a pouco você vai espantar os clientes com essa sua falta de atenção!
-Desculpa, mas eu não consigo parar de pensar! E se eu estiver indo rápido demais? E se ela me odiar por isso?
-Odiar você? Por oferecer os bolinhos de amora da mamãe? Impossível.
Me apoiei no balcão.
-Tô sendo paranoica, né?
Ele assentiu, me abraçando.
-Relaxa, Vivi, hoje você fica com a garota.
Dei um soco no braço dele.
-Tem cliente para você- Falei
Ele me deu o dedo do meio e foi atender o cliente enquanto eu ficava no caixa e antes que eu pudesse me dar conta, ela passou pela porta. Estava menos arrumada que no dia do pub mas estava linda ainda mais depois do sorriso que ela me deu se aproximando do caixa.
-Bom dia, eu fiquei sabendo de uma promoção de bolinhos, é verídico?- Ela perguntou
-É sim- Sorri- Eu já levo para a senhorita.
-Obrigada, tenho uma coisa para você
Eu arregalei os olhos e sorri, ela se dirigiu até uma mesinha e eu providenciei um bolinho de amora, a especialidade da Doce Dê, e fui até ela.
-Especialidade da casa- Fiz uma mini reverência, ela sorriu.
-Uau, parece delicioso.
-Pode apostar que é, foi a primeira receita que a mãe do Alan fez pra vender quando eles vieram pra Garin, hoje em dia é até meio raro ela fazer
-Então eu sou especial?
Sorri:
-Um pouco.
Esperei por ali um segundo até ela experimentar.
-Vicky! Isso aqui é a coisa mais maravilhosa que eu já comi na vida! Bom pra cacete!
-Que bom que gostou. Fico feliz e a tia Phailin vai ficar também.
-Diz pra ela que ela inventou a oitava maravilha do mundo, porque olha eu já comi muitos bolinhos de amora mas esse! Esse é incrível!
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
-Sabe- Ela continuou- Eu queria saber mesmo... quando essa garçonete linda termina o turno dela.
-Essa aqui?- Apontei pra mim mesma, ela assentiu- Essa garçonete sai daqui a pouco e se você quiser esperar ela passar em casa e tomar um banho, vocês podem dar uma saidinha...
-Adoro a ideia, vou ficar super feliz de passar na sua casa e conhecer suas crianças.
Não contive um sorriso, falar dos meus irmãos era o meu ponto fraco.
-Tá bom. Já saio.
-Vou esperar, ansiosamente.
Acenei mais uma vez para ela e sai em direção do balcão.
-Olha que bonitinha- Alan começou- Toda boba, depois falar que não tá apaixonada.
-Pois não estou mesmo, estou apenas levemente encantada.
Ele sorriu e me abraçou.
-Ah, minha bebê vai namorar!
-Para, Alan, deixa de ser idiota.
-Uai, não posso apoiar minha coisinha retraída favorita.
-Que apelido horrível.
-Eu amei.
-Enfim!- Quase gritei- Será que seu pai não quer me liberar trinta minutinhos mais cedo hoje não? Para eu sair com a Let?
-Não sei, pergunta pra ele, ele gosta mais de você do que de mim.
-Dramático.
Subi as escadas em direção ao escritório do senhor Dwayne Byrne, um velho irlandês viciado em comida tailandesa que foi para lá a trabalho e acabou encontrando o amor da vida dele. Eu amava a história dos pais de Alan.
-Tio Way?
-Vicky! Olá, querida!- Ele veio me dar um abraço- Como estão as coisas lá embaixo?
-Sob controle, os clientes estão enlouquecidos com os bolinhos de amora da tia Phailin, estão quase acabando.
-É, os bolinhos da Phailin são de enlouquecer mesmo.
Ele disse mais alguma coisa depois disso mas eu não consegui decifrar porque apesar de conviver com Dwayne e Phailin há mais de 15 anos e já ter aprendido a decifrar seus sotaques além das muitas palavras soltas em tailandês e irlandês que eles falavam, às vezes era difícil até para mim decifrar o que eles estavam dizendo.
-Bom, tio Way, eu queria saber se eu podia sair mais cedo hoje, tipo agora...
-Vai encontrar alguma garota?
Ri.
-Vou.
Ele arregalou os olhos.
-Mo Dhia! Eu falei de brincadeira, isso é um míorúilt! Vá, vá, querida! Depois trate de levá-la lá em casa para conhecer o sogro- Ele apontou para si mesmo- Nossa, Phailin vai morrer com essa novidade.
-Pode deixar, tio Way. Eu já vou indo então.
-Vá, vá! E leve uns bolinhos para Luna, aquela menina é um doce.
-Vou levar, obrigada, tio Way.
Desci as escadas correndo.
-E aí, o velho deixou?
-Não só deixou como falou que é um míorúilt, aliás, que que é isso?
-Milagre em irlandês.
-Oook, vou me trocar, você prepara um bolinho pra Luna? Seu pai já liberou.
-Sim, senhora capitã.