E P Í L O G O
Vicky estava usando o vestido branco que a namorada havia feito para ela e isso foi a primeira coisa que Letícia Smith percebeu quando estacionou em frente a Doce Dê.
-Foi difícil de achar?- Perguntou Vicky.
Let revirou os olhos.
-Foi onde a gente se conheceu.
-Foi.
-Porque aqui e não na sua casa?- Let perguntou.
-Tia Phailin não cozinha fora da casa dela e aqui é mais espaçoso- Respondeu Vicky- Alguma coisa a dizer antes de entrarmos?
-Minha mãe vai vir passar uns dias aqui!- Let disse- Quer te conhecer!
-Que maravilha- Vicky disse meio nervosa, meio rindo.
-Ela ainda acha que o Evandro mudou e que um príncipe agora, mas já é uma evolução.
-É uma ótima evolução- Vicky beijou a namorada- Vamos entrar porque eles já esquematizaram todo um teatrinho.
-Meu deus.
-Estamos aqui!- Anunciou.
Letícia cumprimentou todos por cima e deixou a namorada a levar até a mesa onde seria o almoço e estavam os seis irmãos dela, Phailin, Way, Alan, Leona e até Clari com a cara fechada, encarando Letícia.
-Quais são suas intenções com a minha irmã?- Julian disse, engrossando mais a voz que o normal.
Let sentiu Vicky rir ao seu lado.
-As melhores possíveis?
-Muito vago- Luna opinou segurando a risada- Desenvolva.
-Sei lá- Let estava nervosa- Ficar com ela para o resto da minha vida? Eu amo a irmã de vocês.
-Ama mesmo?- Cam perguntou sustentando seu olhar- Precisamos ter certeza disso.
-Bom, não sei vocês, mas eu tenho certeza que eu amo a Vicky.
-Como vou saber se você merece minha menina?- Phailin perguntou- Porque Vicky é a filha que eu nunca tive.
Alan revirou os olhos ao lado dela. Letícia estava nervosa.
-Não sei, mas eu acho que mereço- Disse, sem graça.
Vicky colocou uma mão em sua coxa por baixo da mesa, como se fosse para lhe dar forças.
-Acho que é importante que você saiba, senhorita Smith- Way continuou- Que se você fizer nossa menina sofrer, ela tem uma família muito grande para vingá-la.
-É, tem sim- Clari observou- Será que a gente pode comer agora?
A mesa inteira caiu em risadas.
-Clarissa!- Luna esbravejou- Estragou o roteiro!
Vicky ainda estava rindo, Luna a lançou um olhar mortal.
-Desculpe- Ela disse, se controlando.
-Estávamos apenas brincando, criança- Way disse- Você é um milagre na vida solitária da nossa menina.
Agora ela podia sorrir.
-Tio Way!- Vicky censurou.
-Eu não disse nenhuma mentira- Disse ele- Fico feliz de finalmente conhecê-la, Letícia.
-Eu ainda quero lembrar que ela tem uma família muito grande para quebrar sua cara caso algo aconteça- Marina disse- Mas você tem subido na minha visão, Letícia.
-Fico feliz.
-Ok, já está bom de amedrontar minha namorada ou me humilhar, vamos comer que a comida da tia Phailin não é disperdiçavel.
-Por favor!- Clari gritou.
Phailin havia feito um Pad Thai, uma comida tailandesa que consistia em macarrão com arroz e legumes, e estava uma delícia! A mulher era especialista em fazer pratos simples maravilhosos.
-Mæ̀, você podia fazer Pad Thai com mais frequência, fica sempre tão bom- Alan observou lá pelas tantas.
-Se eu fizesse sempre, ia deixar de ser especial.
Ela tinha um ponto, mas que dava vontade de comer a comida de Phailin todos os dias depois que você experimentava, isso dava!
-Porque o nome é Doce Dê?- Letícia perguntou.
Phailin começou a rir vendo o marido se empertigar na cadeira.
-Veja, eu costumo dizer que é porque meu querido marido se chama Dwayne e ele é muito doce, então eu peguei uma característica dele e sua inicial- Ela explicou- Porém, na verdade, foi bem sem querer, eu queria fazer doces, então doce veio por causa disso e para não ficar muito sem graça, eu escolhi uma letra que ficaria sonora.
-Eu prefiro a primeira explicação- Dwayne observou.
-É óbvio que prefere- Phailin respondeu- Acredite na que quiser, Let.
A garota riu. O almoço foi agradável, cheio de difamações e Letícia não pode deixar de notar como a dinâmica deles era bonita, dava para ver que Dwayne e Phailin haviam adotado aqueles irmãos para a família deles, Alan e Vicky pareciam irmãos gêmeos, apesar de não terem nada a ver fisicamente, se implicavam o tempo inteiro disputando pela atenção do casal mais velho e se explanando, era uma ótima família e talvez, Letícia quisesse fazer parte dela.
Eram quase 4 da tarde quando Vicky a puxou para fora da casa, aproveitando que a Doce Dê ficava perto de uma pracinha e ela queria ficar um pouco a sós com a namorada.
-E então, como eu faço para escrever meu nome na sua porta?- Letícia disse e Vicky riu.
-Então, você gostou da minha família?
-Tem como não gostar?- Ela puxou a namorada pela cintura.
-Não.
Elas se beijaram ali, no sol de tarde, no meio de Foren e nada mais importava, podiam ter suas estrelas, galáxias e tudo mas ainda se tinham e tinham muita gente para as ajudar com isso e sinceramente? Valeria a pena passar por cada astro já descoberto se, no fim, pudessem encontrar uma a outra e saborear um bolinho de amora da tia Phailin no fim do dia.