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V I C K Y 

 

  Eu queria rir e Alan segurando a risada do meu lado não estava ajudando, dona Sebastiana estava fula de raiva nos contando sobre como José Carlos colocara sal no chá dela no último domingo. 

  -Ele queria me matar, com certeza!- Nenhum de nós respondeu, não era necessário- Mas vou precisar ir agora crianças, cuidem-se e não passem perto daquele assassino!

  Foi a senhora sair pela porta de vidro que nossas risadas preencheram a doceria quase vazia. 

  -Eles vão se casar um dia- Alan disse. 

  -Acho que eles não têm muito tempo para isso. 

  Meu melhor amigo arregalou os olhos.

  -Vitória!

  -O que? A idade dos dois juntos deve dar mais de duzentos anos. 

  -Não é mentira- Ponderou o amigo. 

  Ficamos em silêncio por um tempo. 

  -Letícia me chamou pra viajar. 

  -Eu sabia que você estava me escondendo alguma coisa!- Ele gritou- Quando? Para onde?

   -Para praia, mais especificamente Callies, os High School Haters vão tocar num pubzinho lá, já arranjaram tudo, mas não sei se eu vou. 

   -Lógico que vai! Isso é quase uma lua de mel sáfica, Maria Vitória!

   -Sei lá, aquela galera é meio muito pra mim. 

   Alan me lançou um olhar como se não estivesse acreditando no que eu estava dizendo. 

   -Nada é demais pra você. 

   -Vai comigo então- Falei.

   -Você vai convencer meus pais- Ele deu de ombros. 

   -Sim, senhor. 

   Fui entrando na casa dele. 

   -Pera aí, você estava falando sério?

   -Lógico. 

   Me aproximei de tia Phailin e tio Way que, por sorte, estavam juntos, conversando em algum idioma que eles inventaram nos últimos trinta anos de relacionamento.

   -Tio Way, tia Phailin, posso pedir uma coisa para vocês?

   -Vicky, querida! De certo que pode, sim!- Tio Way respondeu e Phailin assentiu.

    -Então, uns amigos meus me convidaram para passar o próximo fim de semana em Callies, tudo certo, não vai ser um grande gasto, só comida e eu queria saber se o Alan pode vir com a gente. 

    Os pais revezaram o olhar em mim e o filho. 

   -Tudo certo mesmo?- Phailin perguntou- Porque Alan sabe que nós não podemos gastar muito por agora. 

   -Tudo certinho, tia, não precisamos nos preocupar com nada. 

   -Bem, se é assim…- Way trocou um olhar com a esposa- Pode, uai.

   Abri um sorriso e os abracei

   -Obrigada tia Phailin! Obrigada tio Way!

   -Vocês são inacreditáveis…- Alan negou com a cabeça- Se fosse eu pedindo, vocês não iam deixar nunca mas como é a Vitória… 

   -Deixe de ser ciumento, menino!- A mãe puxou o filho para um abraço.

   Voltei para casa saltitante e contei a notícia para Letícia, ela disse que partiríamos na manhã do dia seguinte, avisei Alan, fiquei um pouco com meus irmãos e fui me deitar.

   Acordei mais cedo na manhã seguinte para terminar minhas malas, não esperava ver meus irmãos tão cedo, já tinha me despedido deles na noite anterior, então fiquei meio surpresa quando Cam adentrou meu quarto. 

    -Bom dia. 

    -Bom dia- Dei um abraço nele- O que faz aqui essa hora da manhã?

    Ele sorriu. 

    -Queria conversar com você e não consegui fazer isso ontem. 

    -Um segundo- Ele assentiu. 

    Peguei umas últimas coisas que faltavam e coloquei dentro da mala, fechando-a. 

   -Tudo pronto- Me virei para ele- Diga. 

   -Passaram na escola falando sobre o programa de intercâmbio de Ensino Médio entre cidades aqui de Garin e eu meio que me inscrevi pra Rosez, Irina e Jade. Se eu passar, eu posso ir?

   -Lógico que pode, amor, eu vou sentir muito a sua falta mas pode- Algo voltou na minha cabeça- Isso tem a ver com a sua situação na escola?

   Ele suspirou.

   -Um pouco.

   Abracei ele. 

   -Acho que a Mar vai ficar puta da vida quando souber. 

  Ele riu e tudo valeu a pena. 

  -Provavelmente, mas tô tentando não pensar nisso, acho que vai ser bom.

  -Vai sim.

  Meu celular vibrou. 

 

  LET SMITH- tamo aq em baixo

 

 -Eles chegaram- Observei- Promete que vai ficar bem? 

  Ele assentiu. 

  -Bom final de semana, mana. 

  Mandei um beijo para ele e desci em direção a eles, já tinham passado para pegar Alan, eu era a última parada, entrei na van. Um banco atrás do motorista tinha sobrado para mim, bem ao lado de Let, Alan estava atrás de nós junto com Hadassa, Naomi estava dirigindo e Gab e Mahara ao lado delu, o último banco duplo estava cheio de tralha, eles estavam no meio de uma discussão. 

  -Sem brincadeira, Letícia, a Vicky é a primeira pessoa que você acerta- Não pude deixar de sorrir com Naomi falando. 

   -Eu acertei em você!

   -Tô falando de relacionamento sério. 

   Let parou para refletir um tempo. 

   -Do que vocês estão falando?- Perguntei.

   -Do dedo podre da sua namorada- Alan respondeu, fiquei vermelha. 

   -Ah. 

   Naomi deu partida. 

   -Para de pensar, Let, não tem ninguém pior que você- Naomi continuou. 

   -Seu irmão é pior que eu!- Letícia falou no meio tempo que abraçava Vicky e meio que a cumprimentava sem palavras. 

   -Let, esse é o pior argumento que você poderia usar- Gab observou. 

   -Porque? O Pippo só gosta de traste. 

   -Porque o Pippo tá muito bem casado, Letícia- Gab e Hadassa gritaram.

   -Com o Lucca ainda, que é um príncipe- Naomi terminou. 

   -Tem isso- Let pareceu se lembrar- Mas antes do Lucca, ele era pior que eu. 

   -Eu só não tô me sentindo mais excluída porque eu sei que o Alan também não tá entendendo nada- Eu disse, Let riu e me abraçou. 

   -Pippo é o irmão gostoso de Naomi e meu crush supremo- Gab falou- Bota Welcome To The Jungle, Let.

   A garota seguiu a ordem do amigo enquanto continuava o que ele tinha começado. 

   -Você tinha que conhecer o Pippo, Vi, nem parece que ele é irmão gêmeo de Naomi. 

   -Porque não?- Elu perguntou. 

   -Porque ele é japonês, Naomi- Hadassa acrescentou- E é pacífico. 

   Naomi revirou os olhos. 

   -Minha mãe é japonesa, Vicky, eles dizem que o Pippo não tem nada a ver comigo porque ele puxou mais a ela e eu ao meu pai mas, de resto, a gente é igual. 

  Assenti. 

  -Que mentira, você e dona Kana são espíritos animais- Gab continuou- O pobre do Filippo é o ponto de calmaria naquela casa, deve ter sido um inferno crescer com vocês. 

  Naomi deu um tapa nele e eu pude afirmar que aquela viagem ia ser boa. 

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