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L E T Í C I A

 

  Quando eu terminei aquela saia, eu tinha certeza de quem ficaria perfeita nela, porque era só nela que eu pensava desde que eu comecei a desenhar aquelas roupas e eu tinha que admitir que estava bem orgulhosa de mim, peguei meu celular assim de dei o último ponto na saia. 

 

  LET SMITH- vickyyyyyy

  LET SMITH- viviiiiii 

  LET SMITH- vitoriaaaaaaaa

  VICKY LÓPEZ- oi

  VICKY LÓPEZ- tava brincando com a luna

  LET SMITH- então 

  LET SMITH- qnd eu tive ai, marina comentou q eu podia te fazer se vestir melhor

  VICKY LÓPEZ- traidora

  LET SMITH- eu te acho linda de qualquer jeito

 LET SMITH- só q eu quero muito conquistar minha cunhadinha, ai eu fiz uma coisinha

 LET SMITH- quer vir aq tirar umas fotos??

 VICKY LÓPEZ- “vir aq” significa conhecer seus pais?

 LET SMITH- significa, topa? 

 VICKY LÓPEZ- mds

 VICKY LÓPEZ- topo né 

 LET SMITH- yeeeeeyyyy 

 LET SMITH- venha, venha 

 

 Comecei a arrumar a bagunça do meu quarto imediatamente, não queria que a minha possível futura namorada visse o caos onde eu dormia, a bagunça eu reservava para o estúdio. 

 -Pais!- Cheguei na sala- A Vicky vem aqui hoje para a gente tirar umas fotos. 

 -Então eu vou finalmente conhecer minha norinha?- Meu pai Marcos gritou quase pulando do sofá. 

  -Eu vou cozinhar alguma coisa para ela- Cláudio comentou.

  -Calma, não é para assustar a menina. 

  -Depois daquele traste do Gabriel, Letícia, qualquer namoradinha é lucro- Eu concordava com Cláudio. 

  Fui para o meu estúdio terminar de arrumar as coisas, queria minha melhor câmera para fotografar Vicky. Ela tocou a campainha. 

  -Oi!- Atendi, animada.

  -Oi- Ela sorriu, dei um selinho nela. 

  Entramos em casa, meus pais estavam me esperando logo ao lado da porta. 

  -Olá- Meu pai falou com um sorriso enorme, Cláudio deu um tapa nele. 

  -Quer um bolinho?- Meu padrasto ofereceu. 

  Ela assentiu, peguei um pedaço para ela.

  -Obrigada, está maravilhoso, senhor. 

  -E isso é muita coisa porque ela trabalha na melhor doceria dessa cidade. 

  -Eu não diria “a melhor” mas a Phailin é uma excelente cozinheira. 

  -A gente vai para o estúdio agora, tá?- Avisei, meus pais assentiram. Pai Marcos um pouco animado demais. 

  Conduzi Vicky até o mezanino que eu declarei meu estúdio, não tinha muito mais que tralhas e variados fundos para tirar fotos. 

   -Uau- Ela exclamou assim que subimos- Que lugar incrível.

   -Tá bagunçado.

   -Mesmo assim!- Ela se encostou numa mesinha- O que fez para mim?

   Sorri e peguei as roupas que já estavam separadas e entreguei nas mãos dela, ela me olhou meio surpresa e maravilhada.

   -Isso aqui tá incrível! Profissional! Que coisa linda!- Ela examinou as peças. 

   -Bom, eu fiz faculdade… 

   Ela riu. 

   -Ok, não parece profissional, é profissional.

   -Tipo isso- Falei- Vai, experimenta!

  Ela colocou e eu não pude segurar meu queixo caído vendo aquela mulher, ela era muito bonita e as peças, que eu fiz as cegas, caíram como uma luva, a saia curta amarela com o cropped que misturava amarelo e branco e as luvinhas de princesa que eu fiz imitando a Bela, Vicky parecia uma princesa. 

  -Como estou?- Ela sorriu e foi como se o mundo todo fizesse sentido. 

  -Perfeita- Fiquei um tempo encarando-a- Agora vai ali!

  Apontei para a frente da câmera. 

  -Eu não sou modelo, Letícia!

  -Pois deveria. 

  Ela se posicionou na frente da câmera um pouco sem graça, fui a direcionando devagar para que ela se soltasse, o fundo vermelho claro que eu tinha arrumado ficou perfeito, tirei muitas fotos muito boas e o que eu queria fazer para o resto da vida começou a tomar forma na minha cabeça, ela me puxou para a frente do equipamento em determinado momento e eu percebi que era ela, ela era o que eu queria fazer para o resto da vida, eu não precisava ter mais ninguém contanto que eu tivesse Vicky. 

  -Eu amo você- Ela disse depois de um beijo, jogada no chão do meu estúdio,  eu ri- O que foi?

  -Isso parece uma cena de filme. 

  -Não vai me responder?- Ela riu. 

  -Eu amo você- A beijei. 

  O celular dela tocou. 

  -É o tio Way, rapidinho- Assenti e ela atendeu a ligação- Oi, tio Way, sim, sim, avisei, não sei, ele não falou você não? Checa com o Alan, vou, tô na casa da Let, é, tio, é ela, tá bom eu levo ela aí qualquer dia, pode deixar, eu não vou te trocar, tenho que ir, beijo. 

  Eu ri da ligação. 

  -Quem era?

  -Tio Way, pai do Alan, queria saber sobre o fornecedor de leite e quando eu ia levar você lá. 

  -A segunda pergunta eu também quero saber a resposta.

  -Quando eu sentir que você está psicologicamente preparada para a família Byrne. 

  -Isso vai demorar?

  -Não faço ideia- Ela se sentou, me olhando- Como vai sua mãe?

  Dei um suspiro. 

  -A gente precisa falar sobre isso? 

  -Não se você não quiser. 

  -Ela não falou comigo depois daquilo, acho que o Evandro é mais importante do que eu para ela. 

   -Ei- Ela me beijou- Não fala assim.

   -É isso que parece- Me sentei ao lado dela. 

   -Sabe, quando meus irmãos eram pequenos e essas coisas aconteciam, eu costumava dizer que problemas eram estrelas e eles iam construindo a sua galáxia particular a medida que você ia passando por eles, eles eram provas para chegar no seu sol, na sua hora de brilhar, acho que essa é só uma prova para chegar mais perto da sua hora de brilhar.

  -Tudo fica mais bonito quando você fala, sabia?

  Ela sorriu.

  -Eu tento. 

  Parei para prestar atenção nela mas uma coisa chamou minha atenção, a saia estava meio jogada de lado e deixava ver uma cicatriz na base da perna dela, perto da coxa. 

  -O que é isso?- Perguntei, olhando para a cicatriz. 

  -Ah- Ela puxou a saia para cima da perna- Uma das minhas estrelas.

  -Quer me contar sobre?

  -Digamos que papai não era a pessoa mais pacífica do mundo. 

  -Ele fez isso?- Perguntei indignada, como um pai fazia isso com uma filha?

  Ela assentiu. 

  -Senhor Julio López tinha a estranha mania de quebrar garrafas quando estava bêbado e testar qual filho era mais resistente. 

  Os olhos de Vicky marejaram e eu resolvi não persistir no assunto. 

  -Vi. 

  -Oi. 

  -Quer passar um fim de semana na praia? Esquecer de tudo?

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