top of page

 Isis estava enjoada, botaria tudo para fora ali mesmo a qualquer momento, lógico que o balanço da aterrissagem do avião não estava a ajudando a manter as coisas em seu estômago frágil mas o que realmente a deixava enjoada era lembrar da situação desconfortável, para dizer o mínimo, de duas noites atrás.

  -’Tá tudo bem, Isis?- Nick perguntou e falar com ele era a última coisa que ela precisava então ignorou- Olha, eu sei que você não fala comigo mas se a gente vai ter que conviver na mesma casa pelos próximos, pelo menos, 3 anos, eu acho que você devia, no mínimo, me responder quando eu estou tentando ser educado

  Isis bufou em resposta, Nick revirou os olhos. 

  Os dois estavam estressados, não só pelas últimas várias horas de viagem mas também pelo último semestre que não tinha sido o melhor de todos para nenhum dos dois.

  Melissa e Carine haviam se conhecido em um bar, Melissa havia acabado de ter uma briga enorme com o marido e Carine estava afim de beijar umas bocas diferenciadas, as duas acabaram num quarto de motel e, como manda a regra sáfica, saíram de lá quase namorando, o entendimento e paixão daquelas duas mulheres foi absurdamente rápido e instantâneo, tanto que agora, pouco mais de um ano depois, lá estavam elas, indo começar uma vida nova juntas do outro lado do mundo, a única coisa que elas não tinham se dado conta, era que seus filhos mais velhos haviam estudado a vida toda juntos e não tinham o melhor dos relacionamentos. As últimas horas alternadas entre aviões e aeroportos encheram os ouvidos dos filhos mais novos e das mães com farpas e respostas atravessadas vindas de Isis e Nick e ao chegar na nova casa, as mulheres estavam a ponto de sentar os adolescentes no sofá e obrigá-los a se acertar, provavelmente só não fizeram isso pois assim que chegaram a seu destino final, Isis se trancou no banheiro e sabendo que tinha desafiado o estômago pouco resistente da filha a colocando a mercê de tantas horas de balanço de avião, Carine não ousaria tentar tirar a menina do banheiro tão cedo, só ficaria lá, montando guarda para caso ela precisasse dela, o que provavelmente aconteceria, pois conhecendo Isis e seu corpo como a mulher conhecia, ela só pararia de vomitar quase desidratada depois de um comprimido.

 -Florzinha?- Perguntou batendo na porta- Precisa da ajuda aí?

 -Não, mãe, ‘tá tudo bem, só vou tomar um banho.

 -Precisa de remédio?

 -Provavelmente. 

 -Ok, já trago.

  -Está tudo bem, amor?- Melissa perguntou.

  -Tudo sim, isso aí é normal, é assim desde pequena, ela vai ficar bem.

 Isis ficou bem, o clima da casa não, mas isso Melissa e Carine iriam aprender a construir, tinham tempo de sobra, afinal de contas, aquele era só o primeiro dia de uma nova vida em terras garinesas.

bottom of page